TRÊS CRISES: O QUE FAZER?

Nossa geração vive mais um final de ciclo do capitalismo mundial e, possivelmente, da ordem mundial centrada na gerência dos Estados Unidos da América. A conjuntura já apresentava uma tendência para tal, mas o processo foi acelerado pela pandemia mundial do COVID-19.


A preocupação de nós, jovens trabalhistas, é com o futuro do Brasil e dos brasileiros. Isso porque estamos na periferia do sistema capitalista e em posição mais vulnerável diante da atual crise sanitária, com o agravante do governo anti-povo de Jair Messias Bolsonaro.


COVID-19 e Saúde dos Brasileiros


Na contramão do mundo, da ciência, dos especialistas e da OMS, Bolsonaro, entre o lucro e a vida, escolhe o lucro. O presidente propaga uma narrativa mentirosa minimizando a pandemia e indo contra o direito das pessoas de ficarem em casa e protegerem suas vidas. O resultado do descaso do governo e da falta de coordenação nacional diante da pandemia é a subnotificação e a desconsideração da única medida que possui eficácia comprovada, o distanciamento social. Tudo isso caminha para uma tragédia social sem precedentes na história brasileira.

Crise Econômica


Antes mesmo da crise sanitária, a economia brasileira já patinava. Em nenhum momento respondeu à agenda neoliberal, que só interessou à classe dominante e o capital financeiro internacional. É importante ressaltar que essa agenda entreguista sempre teve como principal inimigo, o legado do Trabalhismo Brasileiro, como por exemplo, a Previdência, os direitos trabalhistas e as empresas estatais.


Com o COVID-19, a crise econômica acompanhará a sanitária. Isso porque o distanciamento social afeta o pleno funcionamento da produção e do comércio. Nesse sentido, o que precisamos é de um Estado forte com um programa que proteja os empregos e faça a proteção da população brasileira que se encontra no desemprego, na informalidade e no desalento. Mais uma vez, contrariamente, o governo pouco responde a essa crise, colocando empecilhos inclusive na renda emergencial aprovada pelo congresso.

 

Além disso, os bancos parecem massacrar ainda mais o povo brasileiro. O Banco Central do Brasil liberou uma remessa de liquidez de 1,2 trilhão para os bancos expadirem o crédito contemplando empresas e as famílias brasileiras. Por sua vez, o sistema bancário empoçou esse dinheiro restringindo ainda mais o crédito e aumentando as taxas de juros finais. Isso causará o estragulamento dos orçamentos. Empresas sem crédito para capital de giro podem falir, evaporando empregos. E famílias irão sofrer com o endividamento a juros altíssimos.


Crise Política


O agravamento das crises sanitária e econômica, surge a crise política. O governo Bolsonaro que é um arranjo de vários setores, começa a desmembrar. É perceptível a composição de uma ala militar, uma ala fundamentalista de extrema direita, uma ala representante do interesse rentista e uma ala lavajatista.


Nesse momento, com o caos social se aproximando, percebe-se que esses setores têm se tensionado, já que nenhum deles quer ficar com o ônus dos resultados tenebrosos. Vemos que os setores estimulados pelo imperialismo ianque, o setor rentista e o lavajatista, estão no esforço de se descolar da imagem do governo. A saída de Sérgio Moro do governo e a declaração de guerra feita pela Globo são exemplos dessa situação. Contudo, não podemos nos enganar com os novos críticos de Bolsonaro, são representantes e operadores do financismo internacional e da agenda de exploração do povo brasileiro. Devemos golpear juntos, mas marchar de forma separada.

 

Diante do isolamento político, Bolsonaro, os fundamentalistas e os militares, buscam os futuros culpados para o caos que se anuncia, os escolhidos foram o Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e os governadores. Acuado, Bolsonaro ultrapassa todos os limites e afronta flagrantemente a democracia.


Impeachment


Diante de todos os desmandos do governo Bolsonaro diante das crises e das ameaças à democracia que o Bolsonaro têm feito, os trabalhistas apresentaram um pedido de impeachment. Sempre fomos legalistas e somos contrários à banalização desse instrumento. Como diz Ciro Gomes, impeachment não é remédio para governo ruim.

 

Entretanto, não há mais condições de Bolsonaro continuar no comando da nação. Sobram crimes de responsabilidades. Principalmente, depois da coletiva realizada por Sérgio Moro, que de maneira oportunista, sai do governo e expõe os atos ilegais de Bolsonaro como falsidade ideológica, prevaricação, tráfico de influência, obstrução de justiça, abuso de autoridade, dentre outros.

A peça jurídica se assenta em outros três pilares.

O primeiro se configura na denúncia da participação ativa do presidente em atos contra a democracia, pedindo fechamento do Congresso e do STF. Incitar ditadura é crime, atentar contra os poderes e sua autonomia, também.

O segundo pilar é a afronta da autonomia federativa representada pelas ações repetidas de ataques aos governadores e no enfrentamento constante que Bolsonaro promove.

O terceiro e último, consiste na irresponsabilidade de Bolsonaro ao violar as normas de saúde durante à pandemia. O presidente não só falou contra, mas as violou periodicamente. Minimizando a doença e colocando pessoas em risco.

Papel da Juventude Socialista


O papel que a juventude socialista deve cumprir nesse momento é entender que a disputa se acirra cada vez mais. Por isso devemos pautar o Fora Bolsonaro, fazer a defesa de um Estado Nacional forte que gere emprego e renda para o povo brasileiro e a defesa, não só do SUS, mas de uma saúde para todos.

Nossos militantes devem se concentrar em três tarefas centrais para esse momento:

1) Formação Política: Orientamos militantes e nossas instâncias estaduais e municipais a intensificarem a formação política.

2) Engajamento: É imprescindível nos engajarmos nas iniciativas, manifestações e atos virtuais puxados. O próximo grande ato nacional será no dia 15/05, pediremos o adiamento do ENEM. Acompanhem nossas redes e as orientações pelos nossos grupos.

3) Solidariedade: Respeitando o isolamento social, as normas de saúde e dentro das possibilidades de cada um, incentivamos ações de solidariedade. Incluímos aqui, por exemplo, desde ajuda a idosos, que precisam ir ao mercado, até doações de alimentos e mascarás.